O que é o IMT?
O IMT (Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis) é pago pelo comprador quando adquire um imóvel em Portugal. Incide sobre o valor do contrato ou sobre o Valor Patrimonial Tributário (VPT), consoante o que for mais elevado. É cobrado uma única vez e, quando a liquidação deve preceder a transmissão, o notário ou a entidade que formaliza o negócio só o faz depois de ver o comprovativo de pagamento (art. 49.º do CIMT). Desde 2026, o IMT pode ser pago no próprio dia da liquidação ou nos 30 dias seguintes (art. 36.º, n.º 1, na redação do Decreto-Lei n.º 97/2026).
O IMT está regulado no Código do Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (CIMT) e é receita dos municípios. O valor a pagar depende do valor do imóvel, da localização (Continente ou Regiões Autónomas), do tipo de prédio (urbano ou rústico), da finalidade (habitação própria e permanente, habitação secundária ou outro fim) e, desde maio de 2026, da residência fiscal do comprador.
Como é calculado o IMT em 2026?
Na habitação, o IMT funciona por escalões com uma taxa marginal e uma parcela a abater. A fórmula é: IMT = valor × taxa do escalão − parcela a abater. Os limites dos escalões foram atualizados pela Lei n.º 73-A/2025 (Orçamento do Estado para 2026) e estão em vigor desde 1 de janeiro de 2026; a AT publicou as tabelas práticas no Ofício Circulado n.º 40129/2026.
Acima de 660 982 € (habitação própria e permanente) ou de 633 931 € (restante habitação), deixa de haver parcela a abater e aplica-se uma taxa única de 6% sobre o valor total; acima de 1 150 853 €, a taxa única é de 7,5%. Os prédios rústicos pagam 5%, os outros prédios urbanos e as outras aquisições onerosas 6,5%, e as entidades com domicílio num país com regime fiscal mais favorável (ou por elas controladas) pagam 10%, sem isenções (art. 17.º, n.º 4, do CIMT; não se aplica a pessoas singulares, n.º 7).
Desde o Decreto-Lei n.º 97/2026, de 20 de maio, a compra de prédio ou fração destinada exclusivamente a habitação por um não residente paga uma taxa única de 7,5%, sem isenções nem reduções, salvo se o comprador já tiver sido residente fiscal em Portugal, se tornar residente nos dois anos seguintes ou arrendar o imóvel para habitação com renda moderada nas condições da lei. Nos dois últimos casos, a diferença pode ser recuperada mediante pedido à AT no prazo de seis meses.
Isenções de IMT
Está isenta de IMT a compra de prédio ou fração destinada a habitação própria e permanente cujo valor não ultrapasse 106 346 € no Continente (art. 9.º, n.º 1, do CIMT), em qualquer idade e mesmo que não seja a primeira casa. A isenção dos jovens até 35 anos tem condições próprias, descritas acima.
Imposto do Selo na compra de imóvel
Além do IMT, a compra de um imóvel paga Imposto do Selo de 0,8% (verba 1.1 da Tabela Geral do Imposto do Selo), sobre o mesmo valor que serve de base ao IMT. É pago pelo comprador. A exceção mais relevante é a dedução para jovens até 35 anos descrita acima. Se houver crédito à habitação, o contrato de crédito paga também Imposto do Selo: 0,6% do montante quando o prazo é igual ou superior a cinco anos (verba 17.1.3), sem isenção para jovens. Os juros de empréstimos para habitação própria estão isentos do selo de 4% (art. 7.º, n.º 1, al. l), do CIS); as comissões bancárias pagam 4% (verba 17.3.4).
Outros custos da compra de imóvel
No balcão Casa Pronta, o serviço custa 375 € quando há um único ato de registo (por exemplo, a aquisição) e 700 € quando há mais do que um (por exemplo, compra e venda com hipoteca), acrescendo 50 € por cada prédio adicional. Se o negócio for formalizado por escritura num notário ou por documento particular autenticado, os honorários e o registo são pagos à parte e variam.
Se recorrer a crédito à habitação, conte também com a avaliação do imóvel, as comissões do banco e os seguros exigidos no contrato, cujos valores variam de banco para banco. O certificado energético é obrigatório na venda e é da responsabilidade do proprietário.
Fontes
- AT – Ofício Circulado n.º 40129/2026 (tabelas práticas do IMT em vigor desde 1/1/2026)
- Portal das Finanças – CIMT, artigo 17.º (taxas)
- Portal das Finanças – CIMT, artigo 9.º (isenções na habitação)
- Portal das Finanças – CIMT, artigo 36.º (pagamento)
- Portal das Finanças – Código do Imposto do Selo, artigo 7.º-A
- Portal das Finanças – Tabela Geral do Imposto do Selo
- AT – Ofício Circulado n.º 40131/2026 (taxa de 7,5% para não residentes)
- Diário da República – Decreto-Lei n.º 48-A/2024 (IMT Jovem e dedução no Imposto do Selo)
- Diário da República – Decreto-Lei n.º 97/2026 (não residentes e prazo de pagamento)
- Portal das Finanças – CIMT, artigo 11.º (quando se perde a isenção)
- Portal das Finanças – CIMT, artigo 19.º (declaração e liquidação)
- Portal das Finanças – CIMT, artigo 49.º (comprovativo na escritura)
- Justiça.gov.pt – Balcão Casa Pronta (custos)
